sábado, Abril 01, 2006

Apontamentos de Introdução à psicologia

Pensamento


Taxonomia do pensamento
- Associação
- Cálculo
- Criatividade
- Raciocínio
Resolução de Problemas


Pensamento

O pensamento é um dos conceitos mais difíceis de descrever em Psicologia. Ao tentarmos definir o pensamento, somos direccionados para as ideias e a actividade de pensar. Hoje em dia, o pensamento é identificado como um conceito polimorfo, ou seja, o pensamento pode ser aplicado a vários domínios (associação, cálculo, criatividade, raciocínio, resolução de problemas).
Existem dois pontos de vista para a noção de pensamento. Ponto de vista dos filósofos e o ponto de vista dos psicólogos. Os filósofos como Kant identificavam o pensamento com a lógica considerando que o pensamento consistia na descrição das leis e regras gerais do ser humano. Segue-se uma época obscura dominada pelos comportamentalistas. Na 2ª metade do século XX, com a emergência da Psicologia, a relação da lógica com o pensamento é ultrapassada. O pensamento passa a ser visto como um conceito polimorfo dado que é o oposto das leis.


Compreender o pensamento

Segundo o Professor Frederico Pereira, para compreender o pensamento é necessário descobrir as situações típicas às quais as pessoas respondem por meio de actividades e objectivar o comportamento dos sujeitos de forma a identificar as operações que estão a correr, os obstáculos que o sujeito enfrenta durante a actividade do pensamento e perceber qual é a influência da manipulação de uma variável no comportamento humano.


Taxonomia do pensamento

Dada a polimorfia do conceito de pensamento, torna-se complexo estabelecer uma taxonomia do pensamento. Vamos analizar a taxonomia (teoria dos modelos mentais) proposta por Johnson-Laird (1988) a partir da qual se caracteriza sumariamene os tipos de pensamento focados: associação, cálculo, criatividade, dedução e indução.


- O pensamento tem um objectivo?

- Não – relaciona-se com o sonhar acordado, a divagação, a associação livre.

- Sim – O objectivo é determinístico?

- Sim – relacionado com o cálculo.

- Não – Será que tem um objectivo preciso?

- Não – Criatividade.

- Sim – Será que aumenta a informação semântica?

- Sim – pensamento diz-se indutivo.

- Não – pensamento diz-se dedutivo.


Todas as actividades cognitivas são fundamentalmente de resolução de problemas, sendo o principal argumento o facto de a cognição humana estar sempre pronta a atingir objectivos e a remover obstáculos. Na resolução de problemas recorremos a várias formas de pensamento:

Problemas - Situações face às quais o sujeito não dispõe de uma conduta adaptável e à qual possa recorrer.

Operador - Acção que leva a um objectivo. A solução final do problema é resultado da sequência de operadores.

Algorítmo – procedimento garantido para chegar à solução dos problemas. Todas as operações requeridas são especificadas passo a passo.

Heurística – estratégia de pesquisa utilizada quando não existe algorítmo e que nos leva à solução do problema. A heurística não garante à partida a resolução do problema, mas é mais rápida. As heurísticas são estratégias que permitem ganhar eficácia à custa de possíveis erros.


Segundo Anderson a resolução de problemas tem três características específicas:

- Direcção face a um objectivo – um problema é colocado em vista de ser solucionado.

- Decomposição em sub-problemas – determinação de sub-objectivos que ajudam a alcançar o objectivo principal (Ex: o macaco procura alcançar paus maiores para com eles alcançar o alimento).

- Aplicação do operador – aplicação da acção que leva a um objectivo.


Anderson explica-nos o modo como adquirimos os operadores e os seleccionamos.

A aquisição dos operadores pode ser feita por:
· Descoberta
· Instrução - É-nos ensinado como fazer. Para isso, é necessário recorrer à linguagem. Restrito ao ser humano.
· Imitação
· Analogia - Podemos encontrar a solução para um problema aplicando a solução que já aplicámos a um outro problema semelhante.

Os critérios para a selecção dos operadores são:
Evitar recorrer a um operador que anule o efeito dos operadores usados anteriormente.
Redução das diferenças - A nossa tendência para ir buscar operadores que nos aproximem do objectivo. Contudo, isso não garante a resolução do problema.


Resolução de problemas: Redução das diferenças
Problema dos missionários e canibais
Neste caso, o objectivo consiste em passar os missionários e os canibais de um lado do rio para o outro.
A dificuldade de resolução do problema reside na existência de três constrangimentos:
· O barco leva apenas duas pessoas de cada vez;
· Não pode haver uma superioridade de canibais em nenhuma das margens;
· O barco nunca pode voltar vazio.

Com o objectivo de reduzir estas diferenças, Anderson refere a análise de fins e meios segundo a qual não se abandona um operador pelo facto dele não poder ser aplicado. Em vez disso, criam-se sub-objectivos até que se possa aplicar o operador.

Ex: Suponhamos que um pai tem que levar o filho à escola. Como a escola é demasiado longe para se ir a pé, têm que ir de carro. Contudo o carro não pega. Então, em vez de recorrerem a outro meio de transporte, o pai arranja uma forma de arranjar o carro para poder levar o seu filho à escola.

Do estado inicial ao estado final é necessário dar sete passos.
Os constrangimentos são:
Só se pode mover uma argola de cada vez;
As argolas maiores não podem ser postas por cima das mais pequenas.



Representações

A representação do problema é fundamental para a utilização dos operadores, estratégias e heurísticas necessárias.


Por vezes a dificuldade do problema é causada pela rigidez funcional, uma tendência de representar os objectos para as suas funções funcionais, ou seja, estamos normalmente fixados em ligar os objectos às suas funções. Por vezes a solução do problema depende do facto do sujeito ser capaz de representar os objectos apresentados de maneiras completamete novas. Isto está presente nos dois exemplos seguintes.


O sujeito, para conseguir agarrar as duas cordas ao mesmo tempo, tem que recorrer ao auxílio das ferramentas que possui. O alicate é fundamental para a execução desta tarefa. Contudo, o alicate não é utilizado na sua função habitual. O alicate tem que ser agarrado à corda para servir de pêndulo e para que a corda, ao abanar de um lado para o outro, possa ser agarrada pelo sujeito.

Neste caso, com uma vela e uma caixa de fósforos, é pedido ao sujeito que agarre uma vela na vertical a uma porta.

Para isso é necessário que a caixa dos fósforos não tenha a sua função habitual pelo que a caixa é colada à porta e a vela é fixada em cima da mesma.

Efeitos de Conjunto - Quando estamos perante vários problemas que requerem apenas um operador, se, de entre esses vários problemas, houver um que necessite de um operador diferente, temos tendência para lhe aplicar o mesmo operador que aplicámos aos restantes problemas.

Incubação insight - É o momento em que, involuntariamente e sem qualquer tipo de reflexão, percebemos ou temos noção de alguma, chegamos à solução.

Papel dos factores sociais na resolução de problemas

Os factores sociais são de grande importância, tanto o conteúdo do problema como o contexto social em que se resolve o problema e consequentemente a interação entre o sujeito que coloca o problema e o resolve. Os factores sociais são fundamentais pois operam no próprio interior do nosso mecanismo cognitivo.


Ex:
Na sala de aula a professora diz que numa sala de aula há 5 mesas e que cada mesa tem 4 cadeiras. Depois pergunta aos alunos qual é a idade da professora. Por mais absurdo que seja o problema, os alunos tentam resolvê-lo. Se o problema for colocado noutro contexto, por exemplo no recreio, as crianças acham um absurdo e não respondem. Na sala de aula respondem à pergunta devido à autoridade da professora e porque consideram que quando a professora coloca uma questão é para se responder. Por outro lado, na interacção social com os colegas, este problema tem um significado completamente diferente.

Hoje em dia, a interacção entre o sujeito e o objecto é considerada uma abordagem mais tradicional. Então prefere-se optar pela abordagem ternária que diz respeito à interacção do sujeito com o objecto e o outro.


Raciocínio Dedutivo


Lógica e psicologia do pensamento
Principais àreas de investigação
- Raciocínio com silogismos
- Raciocínio proposicional
- eg. O raciocínio condicional
Teorias sobre o raciocínio dedutivo
- lógica mental
- conteúdo/contexto
- modelos mentais


Raciocínio Dedutivo

- lógica vs Psicologia
- áreas de investigação
- teorias psicológicas


Dedução vs Indução

Informação semântica:

1. Seres Vivos
2. Seres Vivos Vertebrados
3. Seres Vivos Vertebrados Mamíferos

- Quando aumenta a informação semântica, diminui o conjunto a que nos dirigimos.

Dedução – particularização.
Indução – Generalização.

O raciocínio dedutivo é tautológico, uma vez que não nos acrescenta mais informação.
Na indução a conclusão não é certa, mas sim mais ou menos provável.
Na dedução a conclusão ou é certa ou não é certa (através de uma teoria normativa – a lógica)
A teoria normativa da indução é a estatística ou a teoria das probabilidades.


Lógica vs Psicologia

Lógica – só inferências válidas. Leis necessárias (como devemos pensar). Tem regras formais (forma das premissas); não interessa o contexto; o conteúdo do problema não modifica o raciocínio. O Homem é permeável às coisas, ao conteúdo e à forma, isto é, dois problemas com a mesma forma mas com conteúdos diferentes pode levar a conclusões diferentes, independentemente da forma do problema ser o mesmo.

Psicologia – todas as inferências. Leis contingentes (como pensamos). Tanto o contexto e a forma do problema têm significado para a Psicologia.


Áreas de investigação no âmbito do raciocínio dedutivo

raciocínio silogístico
raciocínio proposicional
- raciocínio condicional


Raciocínio Silogístico

- Silogismo linear ( A é > B, B é > C, então A é > C) – envolve uma inferência transitiva transitividade – propriedade de uma escala/dimensão na qual os objectos podem ser comparados e ordenados).
- Silogismo categórico – começa por um quantificador; é afirmativa ou é negativa. (todo/nenhum – universal; algum – particular)


a) Universal afirmativa
e) Universal negativa
i) Particular afirmativa
o) Particular negativa

I) Alguns professores são psicólogos
E) Nenhum engenheiro é psicólogo
Logo, Alguns professores não são engenheiros


Figura: A-B
C-B

Figura – a posição do termo médio nas premissas pode dificultar o silogismo.

A inferência é um modo de raciocínio feito a partir de duas premissas , com o objectivo de estabelecer uma conclusão válida. A conclusão só é considerada válida quando não existe nenhuma outra forma de interpretar as premissas que possa invalidar a conclusão estabelecida. Há pares de premissas a partir dos quais não é possível estabelecer nenhuma conclusão e há outros em que uma ou mais conclusões são possíveis. No caso de haver conclusão, esta relaciona os termos implicados nas premissas sem que isso acarrete um aumento de informação semântica contida nestas, e sem que seja também uma mera repetição das mesmas.
Durante muito tempo prevaleceu a ideia herdada da Lógica, de que o ser humano possuí na mente regras que lhe permitem estabelecer conclusões válidas numa inferência. É neste pressuposto que se inscrevem muitas das teorias psicológicas sobre o raciocínio silogístico, onde os erros cometidos pelos sujeitos, encontrados em diversos estudos empíricos, eram justificados essencialmente como sendo introduzidos por aspectos formais do próprio material.
Os primeiros estudos experimentais sobre a inferência silogística focam essencialmente as suas potenciais fontes de erro. Estas são algumas das hipóteses levantadas para a explicação desses erros:

Hipótese da Atmosfera – a ideia de que a “atmosfera” criada pelas premissas induzia os sujeitos em erro surge com Woddworth e Sells (1935). Woddworth e Schlosberg (1954) sumarizam esta hipótese em dois pontos: 1) uma premissa negativa cria uma atmosfera negativa, mesmo quando a outra premissa é positiva. De outro modo, a atmosfera favorece conclusões positivas. 2) Quando há uma premissa particular, isto é, contendo o quantificador “Alguns”, há uma atmosfera particular, mesmo quando a outra premissa é universal. De outro modo, a atmosfera favorece conclusões universais.

Johnson-Laird (1983) critica esta hipótese argumentando que se este efeito da atmosfera realmente existe deve, então, cobrir os mecanismos básicos da inferência, dado que os resultados experimentais mostram que os sujeitos têm maior tendência para aceitar conclusões válidas conformes com a atmosfera do que para aceitar conclusões inválidas conformes com a mesma, o que revela a existência de um mecanismo inferencial independente do efeito da atmosfera.

Hipótese da Conversão – uma potencial fonte de erro é a tendência para converter proposições categórica. Este facto foi notado por Wilkins (1928) que verificou que 25% de um grupo de estudantes acreditava que a proposição “Todos os X são Y” implicava que “Todos os Y são X”. Esta hipótese também foi bastante estudada por Chapman e Chapman (1959). Admitindo a possibilidade desta crença que uma proposição categórica implica a sua proposição convertida (podendo assim ser distorcida a representação e a interpretação da premissa), há no entanto que ter em conta a qualidade do material em jogo, nomeadamente na dimensão concreto vs abstracto. É de esperar que com proposições mais concretas, como por exemplo, “Todos os homens são mortais” a conversão seja bloqueada, enquanto que com proposições como “Todo o X é Y”, ela já opera mais facilmente.

Hipótese do efeito da figura – a figura de um silogismo diz respeito ao lugar que o termo médio (termo comum às duas premissas, habitualmente designado por “B”) ocupa nas duas premissas. O efeito da figura, isto é, o efeito produzido pelos arranjos dos termos nas premissas, é segundo Johnson-Laird (1983) um dos principais fenómenos responsáveis pelos erros de inferência que os sujeitos cometem, e deriva dos processos de integrar as premissas dentro da memória de trabalho. Uma experiência desenhada para testar este efeito foi realizada por Johnson-Laird e Bara (1984), onde os resultados revelaram um enviezamento para algumas conclusões. Verificaram, também, uma elevada quantidade de respostas “Nenhuma conclusão válida”, o que já não pode ser explicado através desse efeito.






Raciocínio Preposicional

Forma mais frequente de raciocínio. Depende de frases que se ligam entre qualquer conectiva (e/ou/não) ou ainda (se...então) – relação de implicação.


Não se pode tirar nenhuma conclusão

Não se pode tirar nenhuma conclusão

MP – Modus Ponens – afirmação do antecedente
NA – negação do antecedente
MT – Modus Tollens – negação do consequente
AC – Afirmação do consequente

NA e AC não têm conclusão pois não temos informação.

Silogismos condicionais

“Se há um marciano, então há um raio de luz verde.”

Modus Ponens; Negação do antecedente
Modus Tollens; Afirmação do consequente



Teorias Psicológicas da Dedução

Regras Formais
Regras Conteúdo
Modelos Mentais





Teoria das Regras Formais

Primeiras influências da lógica:

a) Piaget - “O raciocínio não é mais que o cálculo proposicional.”
b) Posição menos radical – o ser humano utiliza as regras mais simples da lógica.
- lógica mental – tem apenas uma parte das regras da lógica, isto é, alguns dos passos dedutivos elementares. Devido à sua complexidade algumas das regras do cálculo proposicional não fariam parte deste conjunto. Ao contrário, todas as regras da lógica mental seriam válidas de acordo com a lógica proposicional.
- Teoria sintática – é dada importância à forma do problema.
- Lugar do conteúdo/contexto? – o ser humano é sensível não só à forma mas também ao conteúdo do problema. Dois problemas com igual forma mas conteúdo diferente têm respostas diferentes.

Há morangos ou amoras; Não há morangos. Logo, há amoras.
Existe uma galinha e um cavalo. Logo, existe uma galinha.
Braine, 1990


Teorias do conteúdo/contexto

Regras para conteúdos
Esquemas pragmáticos


Regras para conteúdos

O conteúdo é importante no estabelecimento de inferências.

Outra potencial fonte de erro é a hipótese do efeito das crenças, no âmbito das teorias do conteúdo/contexto.

Hipótese do efeito das crenças – já numa perspectiva de oposição ao pressuposto racionalista, Evans, Barston e Pollard (1983) partem do pressuposto de que a dedução é feita sobretudo na base das crenças prévias em detrimento das regras formais. Numa experiência levada a cabo por estes autores, onde foram controladas as fontes de erro referidas anteriormente, puderam concluir que o enviezamento significativo que foi encontrado derivava das crenças dos sujeitos. As premissas utilizadas eram premissas que podiam ser legalmente convertidas, as figuras escolhidas foram as menos susceptíveis do efeito da figura e todas as conclusões, eram igualmente favorecidas pela atmosfera.


Esquemas Pragmáticos

Os esquemas pragmáticos de raciocínio dão uma nova prespectiva ao raciocínio. É uma forma de conhecimento que adquirimos/induzimos no nosso quotidiano, em forma de esquema e que ajuda no raciocínio. Se quero fazer uma determinada acção, tenho de fazer uma pré condição.


Marcas sociais e esquemas de pensamento pragmático:

Para percebermos de que maneira o que é aprendido socialmente influencia as tarefas que vão ser realizadas posteriormente, é importante perceber a noção de marcas sociais (tarefas com regularidade social – normas, regras, convenções – que provocam um progresso cognitivo). Várias pesquisas mostram que grande parte do treino cognitivo apresenta melhores resultados quando implica o uso de marcas sociais do que sem o uso das mesmas. São estas marcas que vão, no fundo, contribuir para a construção de esquemas de pensamento pragmático, isto é, para a estrutura cognitiva que sublinha mais os traços gerais aprendidos anteriormente do que detalhes específicos. Por exemplo, estudos relacionados com o pensamento dedutivo também evidenciam o papel das tarefas baseadas em regularidades sociais. Demonstraram que nas situações do quotidiano, não se solucionam os problemas aplicando formalmente um pensamento dedutivo, mas mais pelo uso de esquemas de pensamento pragmático. Vários autores demonstram que, tanto jovens adultos como crianças, apresentam piores resultados nas tarefas que envolvem relacionamentos arbitrários do que se essas tarefas envolverem práticas sociais reguladas, encaixadas na sua experiência.
Segundo Doise e Mugny, as marcas sociais revelam-se mais em experiências onde existam intervenções exteriores que contradigam o conhecimento de base de resposta do indivíduo.
Gilly, Roux, Zhou afirmam que o efeito das marcas sociais é causado tanto pela representação da tarefa pela criança, como pela estratégia usada pela mesma para solucionar o problema.

A representação induzida pelo significado social da tarefa leva à implementação de um esquema de pensamento pragmático. Os indivíduos estabelecem uma correspondência entre a similaridade da tarefa que têm em mãos e o significado de uma situação social que lhes seja familiar. Tais esquemas vão sendo melhorados com a experiência, possibilitando o indivíduo de resolver outros problemas do mesmo tipo. Esta explicação é baseada na premissa de que o indivíduo está realmente apto a estabelecer, gradualmente, uma correspondência entre os problemas que agora lhe surgem e os problemas já resolvidos, encontrados nas situações sociais, nas quais os esquemas pragmáticos derivaram.

Teoria dos Modelos Mentais

Opõe-se à ideia de que o ser humano raciocina através de regras de inferência. A dedução não é um processo sintático de derivação, mas um procedimento que depende da construção e aplicação de modelos mentais.
Esta teoria é apresentada por:
- Johnson-Laird (1983) – Mental Models
- Johnson-Laird & Byrne (1991) – Deduction

É uma teoria bastante recente, tendo sido aplicada nas várias áreas de raciocínio dedutivo e, segundo esta teoria, o processo de dedução depende de três fases:

- Compreensão – da informação construímos uma representação interna (modelo mental), isto é, à medida que estou a aprender/compreender, estou a representar mentalmente essa informação.
- Descrição – tentar concluir alguma coisa desse modelo mental.
- Validação – validar a conclusão, verificar se não existem contra-exemplos, outras questões possíveis. Procura os modelos alternativos das premissas, e não existindo, é considerada válida.

Para estes autores, quantos mais modelos forem necessários para tirar a conclusão, mais difícil é a inferência, mais tempo demoram a tirar a conclusão, mais difícil é compreender a tarefa – a natureza das representações mentais que as pessoas constroem fornece um quadro de referência geral para a compreensão das suas deduções factuais e contrafactuais.


Crítica a aspectos não abordados:

- Aspectos relativos ao desenvolvimento das competências dedutivas.
- Aspectos relacionados com o conteúdo/contexto da informação.




Raciocínio_Indutivo

Formação de hipóteses
Avaliação de Hipóteses
Heurísticas
Dedução e Indução: clivagem ou emparelhamento?


Raciocínio Indutivo

No nosso dia-a-dia somos confrontados com diversas situações em que se torna necessário tomarmos decisões. Este comportamento é tão frequente que, na maior parte das situações, nem nos apercebemos do mesmo, a não ser quando as decisões são difíceis ou se revestem de grande importância para os sujeitos.
O raciocínio indutivo leva a conclusões prováveis, e não a certezas, como no raciocínio dedutivo. A teoria normativa da indução é aquela que nos permite dizer se é mais ou menos provável – teoria das probabilidades.

Formação de Hipóteses

Bruner levou a cabo várias experiências com cartões. Tinham-se vários cartões com atributos diferentes: tipo de figura, quantidade de figuras, quantidade de molduras, cor das figuras.

As experiências consistiam em pedir aos sujeitos que chegassem ao conceito que o experimentador pretendia. Assim, o sujeito ia fazendo representações, tendo em conta os conceitos disponibilizados pelo experimentador, e o experimentador ia dizendo se era esse o conceito que pretendia ou não, até o sujeito chegar ao conceito certo.

No caso 1, o conceito em questão são duas cruzes.
No caso 2, o conceito em questão ou são duas bolas ou duas molduras – conceito disjuntivo.
No caso 3, o sujeito tinha de perceber que o número de objectos é igual ao número de molduras – conceito relacional.

Quando o experimentador apresenta todos os passos dos cartões, é possível acompanhar o raciocínio do sujeito.


+






+
logo o número de círculos é irrelevante




-
logo círculos é parte do conceito




+
logo número de molduras é irrelevante

-
logo o preto é parte do conceito
Conclusão: O conceito é preto.


Tipos de estratégias/abordagens:

- abordagem conservadora: varia apenas um atributo de cada vez.
- estratégia de averiguação sucessiva: coloca-se uma hipótese no início e depois vamos ao longo do tempo tentar ver se acertámos – por tentativas.

Avaliação de hipóteses:

Por exemplo, se tivermos a porta aberta quando chegarmos a casa associamos logo a assalto; a conexão entre a evidencia e a hipótese é apenas probabilística.
Os matemáticos criaram um certo tipo de raciocínio: teorema de Bayes - podemos determinar a probabilidade posterior, de uma hipótese à priori incondicional. Antes de qualquer evidência (prova, aparência), a casa de cada um de nós tem uma certa probabilidade de ser assaltada, esta taxa é a probabilidade á priori; depois temos a probabilidade condicional: de a casa ter sido assaltada dado a porta estar aberta, ou seja depois de ver a evidência (a porta aberta), qual a probabilidade de assalto, será que a casa foi mesmo assaltada?
Vários estudos provam que nos esquecemos de que já existe um problema á priori de qualquer acontecimento, ainda antes de haver qualquer evidencia.


Enviezamento confirmatório

Raramente as pessoas procuram determinar se as hipóteses por si formuladas acerca de um qualquer assunto são falsas. Pelo contrário, em geral, procuram provas que confirmem as suas hipóteses. Muitas decisões são baseadas em crenças ou convicções relacionadas com a probabilidade de ocorrência de acontecimentos incertos, tal como por exemplo o resultado das eleições. Estas convicções são normalmente expressas em termos de “Eu penso que...”.
Por vezes, as convicções que se relacionam com acontecimentos incertos são, também, expressas em termos numéricos como sejam as probabilidades subjectivas. A avaliação subjectiva das probabilidades assemelha-se à avaliação subjectiva de quantidades, tal como a distância e o tamanho. Estes julgamentos são todos baseados em dados de validade limitada os quais são processados de acordo com regras heurísticas.

Heurísticas

As heurísticas não são mais do que estratégias de julgamento. Traduzem-se num modo prático de resolver problemas que muitas vezes já foi usado no passado e deu resultado e que pode funcionar novamente levando à solução do problema.
Tversky e Kahneman (1974) foram os primeiros investigadores a contribuir para o estudo das heurísticas de julgamento fazendo o seu levantamento, bem como dos principais erros que elas acarretam. Sugerem que os indivíduos, para tomarem decisões, se baseiam num certo número de princípios heurísticos que levam à redução da complexidade dessa mesma tarefa. Assim sendo, as heurísticas são vistas como regras que simplificam o processo de tomada de decisão, especialmente em casos de incerteza.
Podem ser descritos vários tipos de heurísticas que são empregues na avaliação de probabilidades e na predição de valores.


Heurística da representatividade:

Ao fazer um julgamento, os sujeitos tentam saber em que medida é que uma característica saliente de um objecto é representativa de, ou semelhante a, características que presumivelmente estão associadas a uma dada categoria à qual pertence esse objecto. São produzidos vários erros, vários enviezamentos, como sejam os erros baseados numa concepção errada do acaso.

Por exemplo:

Temos dois grupos que vão participar numa experiência: o grupo 1, composto por 70 engenheiros e 30 advogados; o grupo 2, composto por 70 advogados e 30 engenheiros.
Tirando, ao acaso, uma pessoa de cada uma das salas, qual é a probabilidade de sair um engenheiro? No grupo 1 é de 70% e no grupo 2 é de 30% (probabilidades à priori). O que acontece é que na maior parte das vezes nos esquecemos das probabilidades à priori, o que nos leva a responder que a probabilidade é igual nos dois grupos, e ainda que, dentro do mesmo grupo, a probabilidade é de 50%.
Dada a seguinte descrição aos indivíduos do grupo 1: “O João é um homem de 45 anos, casado e com 4 filhos. Genericamente ele é conservador, cauteloso e ambicioso. Não demonstra interesse por assuntos políticos e sociais e passa a maior parte dos tempos livres com os mais variados passatempos que incluem a carpintaria, a vela e quebra-cabeças matemáticos”. Qual é a probabilidade de o João ser engenheiro?
Dada a descrição do indivíduo, a probabilidade dele ser engenheiro é muito alta (probabilidade condicional). No entanto, é mais uma vez esquecida a probabilidade à priori dos engenheiros serem todos assim. A probabilidade de um facto se confirmar corresponde à probabilidade à priori mais a probabilidade condicional.
Um exemplo da heurística da representatividade é os sujeitos, quando se lhes pede para dizerem qual o modelo que melhor representa as probabilidades de nascerem bebés numa maternidade, escolherem o modelo mais aleatório, pois é esse modelo que melhor representa o que eles julgam estar certo.
O exemplo do Hospital maternidade também mostra o mesmo. Tendo em conta dois hospitais, um em que nascem 45 bebés por dia e outro em que nascem 15, qual é o hospital com mais dias em que 60% são rapazes? De acordo com a lei dos números maiores, uma amostra aleatória estima tanto mais as características da população a que pertence quanto maior ela for. Assim sendo, o hospital com mais dias em que 60% são rapazes é o que tem 15 nascimentos por dia.

Heurística da disponibilidade:

Este tipo de heurística prende-se com o julgamento acerca da frequência relativa do aparecimento de um objecto particular ou a probabilidade de ocorrência de um acontecimento particular, sendo influenciado pela facilidade com que esse objecto ou acontecimento aparece em memória. Estima-se a frequência de certos acontecimentos com base na prontidão com que eles acedem à consciência dos sujeitos. A disponibilidade pode ser um bom indicador para calcular a probabilidade de ocorrência de algo, uma vez que os exemplos mais frequentes são mais facilmente recordados do que os menos frequentes. Assim, a confiança na heurística da disponibilidade pode levar a inúmeros erros.
A heurística da disponibilidade é uma pista útil para determinar a frequência ou a probabilidade, uma vez que as ocorrências em classes grandes são normalmente recordadas melhor e mais rapidamente do que as ocorrências em classes menos frequentes. Contudo, a disponibilidade é afectada por outros factores, para além, da frequência e probabilidade.
Por exemplo, ao pedir aos sujeitos que indiquem a frequência de palavras em inglês que começam por R ou tem a letra R na terceira posição, as pessoas vão dizer que mais palavras começam por R. Isto dá-se porque essas palavras estão mais disponíveis na memória, porque o que acontece na verdade é que há mais palavras que têm a letra R na terceira posição.



Como já se viu, as heurísticas da representatividade e da disponibilidade podem produzir enviezamentos na estimativa da probabilidade de ocorrência de um dado acontecimento.


Em 1989, Evans escreve o livro “Bias in Human Reasoning”, onde tenta fazer uma abordagem integrada dos raciocínios dedutivo e indutivo. Procura em ambos os casos:
1) Identificar as condições que geram erros e enviezamentos.
2) Compreender a natureza desses mecanismos.
3) Criar um modo de reduzir os erros e enviezamentos.

1. Segundo Evans, erro diz respeito às falhas ao fazer uma inferência a que nenhuma teoria normativa dá lógica, e enviezamento é a tendência sistemática para responder de determinada maneira (ignoramos factores relevantes e envolvemos no raciocínio factores irrelevantes. O autor admite que a maior causa de enviezamento no raciocínio é o processamento selectivo da informação. Ao seleccionarmos a informação temos em conta variáveis como a vivacidade da informação, capacidade limitada da memória de trabalho, disponibilidade da informação e representatividade da informação (heurísticas). Após a selecção ocorre o enviezamento para a confirmação, isto é, há a tendência para procurar informação que esteja de acordo com a nossa ideia. Os efeitos do conteúdo e de contexto também podem produzir erro e enviezamento da informação.

2. O que produz erros e enviezamento são processos pré-conscientes (heurísticos).

3. É muito difícil controlar os erros e os enviezamentos, uma vez que são em grande parte pré-conscientes. Já se tentou reduzi-los com base no treino, mas sem grande resultado, uma vez que este era dirigido ao consciente e os erros de raciocínio são geralmente inconscientes.








PensamentofContrafactual

Os condicionantes do pensamento contrafactual
- Mutabilidade
- Valência do resultado
- Expectativas
- Proximidade de um resultado alternativo
- Excepcionalidade
- Controlabilidade
- Acção/Omissão
- Dinâmico/Estático
Categorização dos pensamentos contrafactuais
- Direcção
- Estrutura
Consequências
- Consequências emocionais
- Consequências cognitivas
Modelo funcional do pensamento contrafactual
- Função preparativa
- Função afectiva


Pensamento Contrafactual

Uma das características mais marcadamente humanas é a capacidade de nos abstrairmos do aqui e agora. Quando o presente não é satisfatório, a mente humana vagueia frequentemente pelo passado com o objectivo de identificar os antecedentes de uma realidade desfavorável. Uma vez identificadas as causas do acontecimento negativo, a sua alteração pode resultar na anulação mental da situação desfavorável. Os pensamentos sobre o que poderia ou deveria ter acontecido em vez do que realmente ocorreu são indicadores de que a realidade é processada contrafactualmente, ou seja, que é construída uma representação de uma nova realidade mental contrária à representação da realidade factual: um pensamento contrafactual.


Leonard Rouse, comandante dos bombeiros de Duluth, Minnesota, faz respiração boca a boca para reanimar um gatinho retirado de um incêndio numa caravana. A dona do gato, uma menina de seis anos, comenta o sucedido:

“ Se o senhor não tivesse respirado na boca da Milu, ela estaria morta”

“A fúria foi a atitude que verifiquei quando uma cobra real se precipitou sobre mim ao ser libertada da gaiola de madeira.”

“Embora conseguisse fintar o ataque, senti-me aliviado ao lembrar-me que tinha antídoto contra o seu veneno na mochila.”
A explosão do vaivém especial Challenger, poucos segundos após ter deslocado do Cabo Canaveral, na Florida, provocou a morte dos seus sete tripulantes.

“ Se a falha que provocou a explosão tivesse sido descoberta antes do lançamento, os tripulantes ainda estariam vivos”.

“Apesar das aparências tenho todos os meus dedos” diz Andre Hartman participante num projecto de observação de tubarões.

“ Hoje em dia, quando penso nisso, acho que foi um disparate tocar naquele tubarão que estava a atacar o barco. Poderia ter ficado sem os dedos ou até sem o braço...”

Em 1988, Ronaldo chegou ao Mundial de França com credenciais de melhor jogador do mundo. Mas o brasileiro, diminuído física e psicologicamente, pouco fez para impedir o 3-0, na final que deu à França a primeira vitória na competição.

Só podemos especular sobre o que teria acontecido se o Ronaldo tivesse dado o seu melhor.

Todos estes pensamentos referem-se ao desenvolvimento de acontecimentos que, dadas as circunstâncias, facilmente poderiam ter acontecido, mas na realidade não ocorreram:

- a Milu podia ter morrido, mas está viva.
- O fotógrafo das cobras podia ter sido mordido, mas fintou a cobra.
- A falha técnica do Challenger podia ter sido descoberta, mas não foi.
- O oceanógrafo podia ter perdido o braço, mas não se magoou.
- O Brasil podia ter ganho o campeonato, mas não ganhou.

São todas frases em condicional e referindo-se ao passado que falam sobre possibilidades do passado que não se realizaram. Ideias que não são os factos, são contra os factos: pensamentos contrafactuais



Temos sempre várias alternativas, mas apenas uma é realidade. Todas permitem pensamentos contrafactuais, ex.: cobra morder mas ele tinha o antídoto mas o frasco estava partido, ou a cobra era simpática, ou não se abria a caixa. Isto são alternativas para a realidade que ocorreu, que foi a cobra atacar.
As simulações mentais sobre o passado em que se imaginam situações diferentes, isto é, uma reacção cognitiva a coisas negativas e que não puderam ser evitadas; criamos o pensamento contrafactual: os factos aconteceram, mas pensamos sobre eles com pensamento contrafactual.


Pensamento Contrafactual

Ao pensar contrafactualmente, as pessoas elaboram simulações mentais de situações passadas, nas quais as coisas ocorrem de uma forma diferente daquilo que aconteceu na realidade. Surgem normalmente quando acontece qualquer coisa má, ou qualquer coisa excepcional, a que não estamos habituados.
A alteração mental de resultados passados, presentes nestes momentos, é uma reacção cognitiva a acontecimentos negativos ou a acontecimentos que não confirmam as expectativas


Condicionantes da ideação contrafactual

Mutabilidade – a prontidão relativa com que os elementos da realidade, antecedentes de um acontecimento inesperado, podem ser alterados mentalmente para construir uma alternativa contrafactual

Quando os antecedentes contrafactuais não são mutáveis, não há pensamentos contrafactuais.

2 etapas da construção do pensamento contrafactual, segundo Roese & Olson (1995)

Activação - variáveis motivacionais relacionadas com a qualidade do resultado, tais como valência do resultado, expectativas e proximidade de um resultado alternativo.

1) Qualidade do resultado – se é bom ou mau.
2) Valência do resultado e expectativas – Se estivermos a espera de passar no exame e depois chumbarmos as expectativas não são confirmadas.
3) Proximidade – o que está aqui em questão é o tempo, a proximidade espacial, temporal, etc. Por exemplo, o Afonso perdeu o avião por 5 minutos, ficou todo chateado e fartou-se de fazer pensamentos contrafactuais, pois foi só por 5 minutos que ele não apanhou o avião.

Elaboração do conteúdo semântico - variáveis relacionadas com as qualidades do antecedente tais como a excepcionalidade, controlabilidade, acção / omissão, dinâmico / estático.
A elaboração só se dá se houver uma activação.

1) Excepcionalidade - Quando acontece qualquer coisa excepcional, normalmente é negativa, pelo que nós temos vários pensamentos contrafactuais. Essa coisa vai preencher o conteúdo do pensamento contrafactual.
2) Acção/Omissão – nós raramente pensamos em coisas excepcionais.


Categorização dos contrafactuais

Direcção – ao comparar as circunstâncias factuais com a alternativa contrafactual, esta alternativa pode ser considerada como mais favorável ou menos favorável do que as circunstâncias factuais

“Se o Ronaldo tivesse jogado melhor, ganhávamos à França.”

Situação Factual – O Ronaldo jogou mal, o Brasil perdeu.
Situação Contrafactual – O Ronaldo joga bem, o Brasil ganha.

A comparação é de direcção ascendente, tendo em vista uma coisa melhor.

“Se tivesse tido menos sorte, perdia o meu braço”

Situação Factual – Tive sorte, tenho o braço.
Situação Contrafactual – Tenho azar, perco o braço.

A comparação é de direcção descendente, uma vez que a situação contrafactual é pior que a factual.

Estrutura – ao elaborar um contrafactual podemos adicionar ou eliminar um antecedente para alterar mentalmente o resultado. Podem ser pensamentos contrafactuais aditivos ou subtractivos. Ao fazermos isto estamos a fazer:
- pensamentos contrafactuais aditivos
- pensamentos contrafactuais subtractivos (removendo aquilo que nós fizemos). Por exemplo: Se não tivesse ido tantas vezes à praia, talvez tivesse estudado mais e melhor.



Consequências

Processos adjacentes às consequências psicológicas:

Efeito de contraste - ocorre quando uma avaliação se torna mais extrema por ser contrastada com um padrão; está relacionado com as consequências emocionais, a desilusão, a decepção, sentimentos de culpa ou de pena.

Atribuições causais - influencia as atribuições de culpa, a elaboração de expectativas, a formação de atitudes e de intenções em relação a comportamentos futuros.


Consequências emocionais – as emoções podem depender da informação focalizada numa comparação; o contexto influencia as emoções consequentes da ideação contrafactual.

Contrafactuais ascendentes relacionados com emoções negativas e contrafactuais descendentes com emoções positivas.

“ Uma senhora, condutora de um carro, viajava com as duas crianças dela e um sobrinho quando sofreu um acidente. O carro despistou-se e depois de sair da estrada capotou. As crianças sofreram apenas lesões ligeiras, mas durante muito tempo uma ideia permaneceu viva na mente da senhora: “Se tivesse matado as crianças, teria sido uma catástrofe enorme.” – pensamento contrafactual descendente.

Consequências cognitivas – as inferências causais envolvidas no pensamento contrafactual e a elaboração de modelos alternativos à situação factual em que a valência negativa do resultado é evitada podem contribuir para que as pessoas se sintam preparadas para situações semelhantes no futuro.


No passado um resultado negativo levou a emoções negativas. Se no presente elaborarmos uma representação mental alternativa à situação real desfavorável (processamento contrafactual), seguramente no futuro haverá uma transformação dessa representação em atitudes e/ou em estratégias comportamentais que promovem a adaptação eficaz.


Modelo funcional

Função preparativa – atribuição causal; contrafactuais de categorias diferentes possuem diferentes valores preparativos: os ascendentes sugerem como podemos melhorar a situação (são sempre emoções negativas) e os descendentes apontam para a manutenção do estado anterior das coisas (ajudam-nos a regular as nossas emoções).

Estamos sempre a fazer comparações com coisas melhores e é por isso que causam emoções negativas.
Os pensamentos contrafactuais têm consequências emocionais que podem ser boas ou más.

Os contrafactuais aditivos têm um valor preparativo mais elevado do que os subtractivos
Os contrafactuais que possuem o mais alto valor em termos preparativos são os de direcção ascendente e de estrutura aditiva.

Função afectiva – regulação dos afectos negativos que resultam de um acontecimento negativo; direcção descendente: “podia ter sido pior”.






Desenvolvimento_do_raciocínio


O desenvolvimento cognitivo
Teorias psicológicas da dedução e desenvolvimento
- Teorias formais
- Teorias de conteúdo e contexto
- Teoria dos modelos mentais
- Afinal o que é que se desenvolve?


Desenvolvimento cognitivo (Anderson)

Todo o trabalho feito para compreender o desenvolvimento cognitivo deve-se a Piaget. Este psicólogo suíço propõe que as crianças desenvolvem em quatro estádios de desenvolvimento cognitivo:
- Sensório-motor (0-2) – desenvolvimento de esquemas mentais sobre o mundo físico.
- Pré-operatório (2-7) – pensamentos internos sobre o mundo.
- Operações concretas (7-11) – desenvolvimento de uma série de operações mentais que permitem tratar o mundo físico de uma forma sistemática.
- Operações formais (11-15)

Piaget colocou inúmeras questões, de entre as quais se encontra a teoria da conservação (conhecimento da criança do que permanece depois de ocorrerem determinadas transformações).
De entre os vários tipos de conservação Piaget salienta a conservação do objecto adquirido no primeiro ano de vida, desenvolvendo-se lentamente, e também a conservação do peso e do volume.


Teorias psicológicas da dedução e desenvolvimento

Teorias formais – o desenvolvimento da lógica proposicional que ocorre no decorrer da adolescência é fundamental para que o adolescente venha a ter um desempenho na dedução (Piaget)

Teoria do conteúdo/contexto – o conteúdo pode ter um papel facilitador por vezes. A importância do significado social da tarefa ajuda no desenvolvimento cognitivo da criança ( remete para o conceito de marca social ). A marca social tem um efeito facilitador na resolução da tarefa e ajuda no desenvolvimento cognitivo.

Teoria dos Modelos Mentais – para raciocinarmos é necessário compreender a língua, o significado das palavras. A memória de trabalho é muito importante e, consequentemente, a sua capacidade. Para assegurar a validade do raciocínio não se deve aumentar a informação semântica e deve-se procurar contra-exemplos (outros modelos que vão gerar outra conclusão). Para ser válida a conclusão deve satisfazer todos os modelos.
As áreas a desenvolver são a capacidade de procurar contra-exemplos e a memória de trabalho.
O desenvolvimento do raciocínio deve ocorrer em paralelo com o desenvolvimento de interpretar e relacionar a informação.




Pensamento_e_Linguagem


Comunicação
A aquisição da linguagem
Relação entre linguagem e pensamento


Comunicação

Segundo Bruno Bora, a comunicação consiste numa actividade integrada entre duas ou mais pessoas que colaboram na elaboração de uma diálogo e pode ser vista como governada por regras sociais partilhadas por estados mentais privados. É uma actividade que surge entre duas ou mais pessoas, cuja função é a transmissão de pensamentos, sentimentos, estados de espírito, etc. Para que haja comunicação é pressuposto que o outro entenda pois tem os mesmos conceitos e que haja atribuição de significado; para além disso o silêncio também é uma forma de comunicação.
Os modelos recentes distinguem dois processos:

Tratamento central e sistemático - centrado no conteúdo da mensagem.
Tratamento periférico, heurístico - descoberta da informação onde nós agimos sem dar verdadeira atenção às informações do nosso meio.

Mas o sujeito trata activamente o conteúdo da informação e não despeja apenas a informação para outra pessoa ( por vezes só ouvimos aquilo que nos interessa ).

Há 4 sistemas de comunicação presentes na interacção humana

Verbalização - Caracterizado por uma dupla articulação entre fonemas (sons) e monemas (palavras) e arbitrariedade dos signos que o compõe, não existindo nenhuma relação de semelhança entre o objecto (significante) e o próprio nome desse objecto (significado). A diferença entre sinal e signo, é que no sinal existe uma relação entre o significante e o significado (exemplo: uma imagem de um telefone a indicar cabine), enquanto que no signo não existe relação lógica entre o significante e o significado (exemplo: em vez da imagem do telefone diz telefone e depois aparece cabine).

Entoação - Acompanha sempre a vocalização e esclarecesse o significado daquilo que estamos a dizer (exemplo: está a chover – pela entoação que dermos vamos saber se é pergunta ou afirmação).

Vocalização - Quando emitimos a mensagem, considera-se também as vocalizações ( fenómenos paralinguísticos tipo Humm, Ahh, etc. ), onde o ritmo, as pausas e as hesitações são também englobados.

Cinésica (não verbal) - Movimentos faciais, corporais têm um alto significado comutativo (exemplo: o polegar virado para cima significa OK, aplaudir, a maneira como se contam anedotas, o papel do espaço – proximidade e espaço privado -, o olhar, a expressão do rosto). Em culturas diferentes por vezes têm significados opostos (na Bulgária o sim é um abanão de cabeça como um não).


Para que a comunicação se processe tem que haver aparelho da fala do lado biológico, interacção com o meio e com os outros do lado social, treinar a fala com repetições como exercício funcional. Todos estes sistemas de comunicação cooperam entre si, e os sistemas não linguísticos servem sobretudo para enfatizar os linguísticos.


Tipos de comunicação

Comunicação não verbal – para regular a interacção.

Comunicação interpessoal – transmissão de pensamentos, situação governada por regras sociais partilhadas, motivações pessoais para comunicar, utilização simultânea do sistema verbal e não verbal de comunicação. Variáveis que determinam a comunicação: conhecimento, motivação, contexto e intimidade.

Comunicação representacional (mais complexa) – se existe partilha dos conhecimentos é porque os sujeitos partilham uma série de pressupostos.

Comunicação defensiva – se dá a ideia que está a avaliar o outro, vai provocar no outro uma defensiva; por vezes a culpa do sujeito leva o sujeito a interpretar a comunicação como sendo negativa.

Aquisição da linguagem

A linguagem humana não se adquire, já nascemos com ela, ou seja, ela é inata; é um processo lento, mas extraordinário.

Idade
Linguagem
0 – 3 meses
Emissão não voluntária dos sons, no entanto esses sons podem introduzir um significado
Parte integrante das relações globais do bebé
3 – 4 meses
Início da descoberta da relação entre a emissão e a percepção de sons – o bebé começa a ouvir-se a si próprio
4 – 6 meses
Palrar, a brincadeira de fazer sons onde o bebe ensaia um leque vasto de sons
O papel do ambiente social na selecção dos sons da língua mãe e na melodia da fala
6 – 8 meses
Início da compreensão ( 1ª fase ), onde o bebé começa a atribuir significados a contextos sociais que enquadram a fala
12 meses
Compreensão das palavras ( 2ª fase ), independente do contexto e da entoação
Surgem as primeiras palavras
Pressupostos instintivos: objectos inteiros e exclusividade mútua
12 – 18 meses
Vocabulário rudimentar ( de 8 a 40 palavras activas ), formando palavras e frases
18 – 24 meses
Frases de duas palavras ( produção telegráfica ). A partir dos 24 meses a aquisição de palavras dispara e o vocabulário da criança atinge rapidamente centenas de palavras
6 anos
Domínio da linguagem e aperfeiçoamento até aos 10 anos quando começa a conhecer as regras da linguagem através da gramática


Pensamento e linguagem


- Abordagem comportamentalista ( Watson ) - Não existe actividade mental interna (não existem pensamentos, pensar não é mais do que um discurso sub-vocal).

- Abordagem do determinismo linguístico (Benjamim Lee Whorf) - A linguagem influência o modo como as pessoas percebem ou pensam o mundo. A estrutura da linguagem determina a estrutura do pensamento, no entanto as diferenças na linguagem não determinam no modo como percepcionamos o mundo. A linguagem é um instrumento moldado pelo pensamento que nos permite exprimir os nossos pensamentos.

- Modularidade da linguagem ( Noam Chomsky e Jerry Fodor ) - Pensamento e linguagem são independentes. Não se nega a hipótese que a linguagem transmite o pensamento, mas propõem-se que a linguagem opera com base independente da cognição geral, ou seja, é um módulo autónomo, encapsulado, separado dos processos cognitivos.

9 A perspectiva de Vygostsky - O pensamento é diferente da linguagem, mas têm uma relação dinâmica, em constante interacção. A primeira linguagem da criança é uma linguagem social. O conceito central neste estudo é o de linguagem interior (para connosco próprios, é a linguagem que pensamos) e a linguagem egocêntrica (a que as crianças usam quando estão a brincar e vão falando sozinhas). Na perspectiva de Piaget a linguagem egocêntrica é uma linguagem que só serve para o crescimento e que depois desaparece, enquanto que para Vigotsky a linguagem egocêntrica vai originar a linguagem interior, transformando-se e não desaparecendo.


Linguagem - - - - - - - - - -
Social
/
Linguagem exterior
\
Linguagem à Linguagem à Pensamento
Egocêntrica Interior
Motivações
Linguagem egocêntrica:

Características: quando mais velha for a criança menos se entende o que diz, porque vai dizendo menos e pensando mais. Inicialmente tem uma estrutura igual à linguagem de comunicação. Cada vez é menos complexa, quase só depois predicativa, tende a condensar, uma maior simplificação e menor vocalização, é isto o aproximar das características da linguagem interior.

Abordagem da linguagem interior

Não existe vocalização, predicação (sem existirem sujeitos sabemos o que estamos a pensar), linguagem quase sem palavras, uma espécie rascunho para a linguagem escrita ou oral, predominância do sentido (momento – música) sobre o significado (momento – dicionário), condensação dos sentidos, aglutinação, inacessibilidade.

Linguagem oral – diálogo (não temos muito tempo para formulações complexas) e monólogo (formulação mais complexa).

Linguagem escrita – ausência de contexto e de expressões, organização previa do que vamos escrever. O pensamento é globalizante e o discurso parcializante. Vygostsky diz que a palavra sem pensamento é uma “coisa vazia” – “uma palavra despromovida de pensamento é uma coisa morta, e um pensamento que não se concretiza em palavras permanece na sombra”.

Marco Abreu
Ispa

2 Comments:

Blogger Tita said...

obrigado pela ajuda ...

5:49 da manhã  
Blogger António Botelho said...

Estava a estudar às 5h da manhã para uma exame de Raciocínio e Linguagem que ia ter na manhã seguinte e este resumo ajudou-me imenso! Obrigado por partilhar!
Cumprimentos poéticos,

António Botelho

9:19 da tarde  

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